Dissertação - Serineu Pinto

Funcionalidade relacionada a dor e capacidade para o trabalho em profissionais de enfermagem: um estudo transversal

Autor: Serineu Pinto (Currículo Lattes)

Resumo

Introdução: O adoecimento ocupacional entre profissionais de enfermagem representa um desafio relevante para a saúde do trabalhador, dada a exposição contínua a riscos físicos, psíquicos e organizacionais. A capacidade funcional e a capacidade para o trabalho são indicadores cruciais da aptidão dos trabalhadores de enfermagem frente às demandas laborais. Objetivo: Analisar os fatores que influenciam a funcionalidade relacionada a dor e à capacidade para o trabalho em profissionais de enfermagem de um hospital universitário. Método: Estudo transversal, analítico, com 197 profissionais da equipe de enfermagem (enfermeiros, técnicos e auxiliares), de um hospital universitário. A coleta de dados foi conduzida via plataforma REDCap, no segundo semestre de 2024, abrangendo variáveis sociodemográficas, laborais, clínicas (comorbidades, sintomas musculoesqueléticos, dor, afastamentos) e a avaliação da CF pela Back Pain Functional Scale (BPFS) e da CT pelo Índice de Capacidade para o Trabalho (ICT/WAI). A análise estatística empregou medidas descritivas, testes de associação bivariada (t de Student/ANOVA ou equivalentes não paramétricos) e modelos de regressão linear múltipla (stepwise) e logística para identificar preditores. Resultados: A amostra apresentou média de funcionalidade de 43,0 pontos (DP 15,0) (BPFS). Cerca de 24,4% dos participantes apresentaram baixa ou moderada CT (ICT). Os preditores de menor capacidade funcional e laboral foram: maior intensidade de dor autorreferida (p < 0,001), afastamento laboral superior a 15 dias (p < 0,001), presença de artrite reumatoide (p = 0,013), distúrbio emocional severo (p = 0,026), idade igual ou superior a 45 anos, sexo masculino e avaliação insuficiente de treinamentos em ergonomia (NR-17). Em contraste, profissionais atuantes no cuidado a crianças e adultos (grupos etários: Ambos) (= 5,0; p = 0,012) e aqueles com sintomas predominantes em regiões corporais superiores ( = 5,3; p = 0,011) apresentaram melhor funcionalidade. Conclusão: Fatores sociodemográficos, clínicos e ocupacionais interferem significativamente na capacidade funcional e laboral dos profissionais de enfermagem. Estes resultados validam a necessidade de uma abordagem proativa, focada na vigilância da saúde, ergonomia e promoção do bem-estar físico e emocional no ambiente de trabalho.

Palavras-chave: ErgonomiaCapacidades físicasCapacidade funcionalSaúde do trabalhadorEnfermagem