Acessibilidade das pessoas surdas em serviços de saúde mental: uma revisão integrativa
Autor: Anderson da Veiga Barbosa (Currículo Lattes)
Resumo
Esta dissertação teve como objetivo geral identificar as evidências científicas sobre a acessibilidade das pessoas surdas nos serviços de saúde mental. Como objetivos específicos: identificar as barreiras comunicacionais enfrentadas pelas pessoas surdas em serviços de saúde mental, de acordo com as evidências científicas; retratar a percepção e as experiências das pessoas surdas em relação ao acolhimento nos serviços de saúde mental, conforme as evidências científicas e, descrever as estratégias, práticas e modelos de cuidados às pessoas surdas nos serviços de saúde mental, a partir das evidências científicas. Trata-se de uma revisão integrativa, sendo definida como uma metodologia de síntese científica que permite identificar lacunas na literatura, comparar resultados de estudos publicados e orientar práticas baseadas em evidências. A pergunta norteadora foi: Como é o acesso das pessoas surdas ao atendimento em saúde mental nos serviços de saúde? e foi elaborada com base no modelo mnemônico PICo (População, Interesse e Contexto), no qual a população refere-se às pessoas surdas, o interesse diz respeito ao acesso aos serviços de saúde mental e o contexto compreende diferentes países e sistemas de saúde. Os critérios de inclusão foram estudos empíricos publicados entre 2014 e 2024, com ênfase no cuidado em saúde mental para pessoas surdas, o acesso e inclusão com participação de usuários, profissionais e intérpretes. Foram excluídos os estudos que tratavam de outras deficiências sem enfoque na surdez, que abordavam a saúde física em vez da saúde mental ou que consistiam em revisões, editoriais, comentários e relatos de caso isolados. As buscas foram realizadas nas seguintes bases de dados: Embase, PubMed, PsycINFO, Scopus e Web of Science. Foram exportados para o Rayyan 3398 estudos para fazer a triagem, onde 80 foram excluídos por estarem duplicados e 3,318 se mantiveram para análise. Após a triagem, 53 estudos foram lidos na íntegra e 17 foram incluídos na análise final. A análise dos artigos selecionados permitiu definir três categorias temáticas: acesso e barreiras comunicacionais enfrentadas por pessoas surdas nos serviços de saúde mental; estratégias, práticas e modelos de cuidados inclusivos e, percepção e experiências das pessoas surdas em relação ao acolhimento nos serviços de saúde mental. Os resultados revelaram que as pessoas surdas enfrentam barreiras significativas no acesso à saúde mental, especialmente relacionadas à comunicação, à ausência de profissionais capacitados em língua de sinais e à falta de modelos de cuidado culturalmente inclusivos. As experiências relatadas variam entre exclusão e acolhimento, dependendo da acessibilidade linguística e da sensibilidade dos serviços. Conclui-se que há a necessidade do fortalecimento de políticas de acessibilidade linguística e capacitação profissional em língua de sinais. Ficou evidenciada a pouca visibilidade internacional relativa ao atendimento das pessoas surdas em saúde mental, o que serve de alerta para os pesquisadores brasileiros investirem em estudos que mostrem a necessidade de estimular a comunidade surda a buscar seus direitos relativos à saúde, participando de eventos nesta área, dos conselhos de saúde e de organizações que proporcionem empoderamento e inclusão desta população nos serviços de saúde, que realmente utilizem o princípio doutrinário do Sistema Único de Saúde (SUS) e a participação social, o que possibilitará de fato sua visibilidade pelas instituições de saúde e pelos profissionais da saúde mental. E, desta forma rever, modificar e implementar políticas públicas de saúde verdadeiramente inclusivas.