Workaholism e estresse ocupacional em profissionais de saúde de um hospital universitário: um estudo transversal
Autor: Laís Silva Lima (Currículo Lattes)
Resumo
O processo de globalização estabelece demandas de trabalho cada vez mais intensas, nas quais os trabalhadores são incentivados à competitividade e à produtividade. Além disso, esses aspectos podem levar a vivências de níveis mais altos de workaholism e estresse no trabalho. Nesse sentido, o presente estudo teve como objetivo geral analisar o workaholism e o estresse ocupacional em profissionais de saúde de um hospital universitário. Trata-se de um estudo analítico, de corte transversal com abordagem quantitativa. A pesquisa foi realizada em um hospital universitário de grande porte do Nordeste do Brasil. A população do estudo foi composta por profissionais de saúde de nível superior de diversas categorias profissionais com atuação em cargos de assistência e gestão do hospital. Participaram do estudo 221 profissionais de saúde de nível superior. Os instrumentos de coleta de dados consistiram em um questionário de caracterização dos participantes, além das seguintes escalas: Escala Multidimensional de Workaholism e Escala de Estresse no Trabalho. A coleta de dados aconteceu no formato virtual, por intermédio da ferramenta Research Eletronic Data Capture. Os dados foram tabulados e analisados no programa Statistical Package for the Social Sciences versão 28.0. Para comparar médias, foram aplicados o teste t-Student para amostras independentes ou a Análise de Variância complementada pelo teste de Tukey. Para avaliar as associações entre as variáveis numéricas, foram utilizados os testes de correlação de Pearson ou Spearman. O estudo foi aprovado pelos Comitês de Ética em Pesquisa das Instituições envolvidas. A idade média dos participantes do estudo foi de 43,2 (± 8,0) anos, os quais 83,3% eram do sexo feminino e 16,7% do sexo masculino. Os resultados evidenciaram associação positiva moderada entre a dimensão autonomia e controle da Escala de Estresse no Trabalho e a dimensão comportamental (r=0,520, p<0,001) da Escala Multidimensional de Workaholism. A ocorrência de estresse ocupacional entre os profissionais de saúde foi moderada (50,2%). Foram observadas associações significativas entre as seguintes variáveis: número de filhos (p= 0,001; p= 0,040), tempo para atividades de lazer (p=0,002), uso de medicamentos psicotrópicos (p=0,007; p=0,001; p<0,001), cargo assistencial (p= 0,015; p= 0,034), setor de ambulatório (p=0,037), profissão médico (p<0,001), horas totais de trabalho por semana (p=0,002) e as dimensões da Escala Multidimensional de Workaholism. Também foram verificadas associações significativas entre as variáveis: número de filhos (p= 0,014; p= 0,037; p= 0,049), cargo assistencial (p<0,001), profissão enfermeiro (p= 0,012), setor de bloco cirúrgico (p=0,003), possuir mais de um vínculo empregatício (p= 0,003; p<0,001; p= 0,021) e as dimensões da Escala de Estresse no Trabalho. Concluiu-se que as variáveis (número de filhos, tempo para atividades de lazer, uso de medicamentos psicotrópicos, cargo assistencial, setor de ambulatório e bloco cirúrgico, profissão médico e enfermeiro, horas totais de trabalho por semana e possuir mais de um vínculo empregatício) podem ser consideradas fatores preditores da Escala Multidimensional de Workaholism e Escala de Estresse no Trabalho, tendo em vista que foram encontradas associações significativas entre as variáveis e as dimensões dos fenômenos estudados.