Maus-tratos infantis e a atuação docente na educação básica: revisão integrativa das estratégias de enfrentamento
Autor: Ana Flavia Drumond de Mello E Cunha (Currículo Lattes)
Resumo
Os Maus Tratos Infantis (MTI) englobam as ocorrências de negligência, abuso psicológico, físico e sexual em crianças. São problemas globais de saúde pública, com consequências que podem perdurar ao longo da vida adulta, impactando na saúde física, psicológica e no desenvolvimento das vítimas, não apenas no instante em que ocorrem, mas, também, em etapas posteriores do ciclo vital. Particularmente, o ambiente escolar se constitui em um potencial espaço para enfrentar essa problemática e proteger as crianças. O objetivo deste estudo é identificar evidências científicas acerca das estratégias de enfrentamento dos MTI utilizados pelos professores da educação básica. Trata-se de uma Revisão Integrativa de literatura que utilizou a estratégia PICo. As buscas foram realizadas nas bases: Medical Literature and Retrieval System Online (MEDLINE), via PubMed; Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), por meio da Biblioteca Virtual da Saúde (BVS); Educational Ressources Information Center (ERIC) Scopus, Web of Science, American Psychological Association (APA) PsycInfo e Scientific Electronic Library Online (SciELO). Oacesso àsfontes foi remoto, através da Comunidade Acadêmica Federada (CAFe), via Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Foram selecionados 24 artigos. Os resultados evidenciam que o enfrentamento aos MTI no ambiente escolar organiza-se em três categorias. A primeira destaca a escola como espaço de intervenção precoce, onde o suporte prático e emocional e o fortalecimento do vínculo professor-aluno são ferramentas essenciais de proteção. A segunda revela uma atuação docente marcada por dilemas éticos e condutas informais, em que a "resolução interna" muitas vezes prevalece sobre a notificação formal devido à insegurança profissional e à carência de suporte institucional. A terceira categoria aponta para a necessidade de estratégias sistêmicas, enfatizando a importância de programas preventivos, da formação continuada dos professores e da colaboração interprofissional para fortalecer a rede de proteção e superar as barreiras da subnotificação. Considerações finais: Embora a escola seja reconhecida como um espaço de intervenção precoce, suporte e proteção, essa função pode não se efetivar quando há fragilidades relacionadas à comunicação sensível, ao suporte prático e emocional, à cultura de salvaguarda, ao fortalecimento dos vínculos e da identidade institucional, além da sensibilidade comunitária. Nesse contexto, as estratégias sistêmicas e de promoção da resiliência mostram-se fundamentais para criar condições que possibilitem à escola exercer, de forma efetiva, seu papel na prevenção e no enfrentamento dos MTI.