Entre prompts e saberes: o uso da inteligência artificial generativa por estudantes de graduação em enfermagem
Autor: Vitória Maria dos Santos Mendes (Currículo Lattes)
Resumo
O avanço das ferramentas de inteligência artificial tem impactado a formação em saúde. No ensino de Enfermagem, essas tecnologias vêm sendo utilizadas como recursos pedagógicos que auxiliam a aprendizagem e o desenvolvimento de habilidades, tornando necessário compreender como os estudantes as utilizam, os sentidos atribuídos a esse uso e os impactos percebidos em sua formação. Teve-se como objetivo: analisar o uso de ferramentas de inteligência artificial generativa por estudantes de graduação em Enfermagem, com foco em suas experiências, atitudes, cuidados adotados e percepções acerca das implicações éticas e morais desse uso. Trata-se de um estudo qualitativo, do tipo exploratório, que foi desenvolvido na Escola de Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande, no segundo semestre de 2025, após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da FURG (CAAE: 91790425.8.0000.5324). Foram realizadas três sessões de grupos focais com nove estudantes de graduação em enfermagem, do segundo, terceiro, quarto, sétimo, oitavo e nono semestre, predominantemente do sexo feminino, pertencentes a faixa etária entre 19 e 28 anos. O processamento dos dados foi feito com o auxílio do software IRaMuTeQ e a análise foi feita através da Análise Textual Discursiva. A partir da análise, emergiram três categorias analíticas: "Práticas, tensões e percursos do uso da IA no processo formativo", "Reflexões éticas, morais e de responsabilidade no uso da IA" e "Transformações no cuidar: IA e o futuro da prática em enfermagem". Evidenciou-se que o ChatGPT constitui a principal ferramenta de Inteligência Artificial utilizada pelos estudantes, motivada, sobretudo, pela sobrecarga de demandas acadêmicas e pela necessidade de otimização do tempo. Embora reconheçam os benefícios dessas tecnologias para o processo de aprendizagem, sua utilização é permeada por sentimento de insegurança, medo e conflitos, especialmente na relação com os docentes, em decorrência da ausência de diretrizes institucionais claras sobre o uso ético da IA. Observou-se que práticas como a reprodução direta de respostas geradas pela IA são amplamente reprovadas pelos próprios estudantes. Entretanto, paradoxalmente, algumas condutas eticamente questionáveis ainda são adotadas, revelando tensões entre o reconhecimento dos limites éticos e as exigências do contexto acadêmico. Ademais, identificou-se uma dualidade nas projeções de futuro dos participantes: enquanto parte deles se percebe como profissional integrado às tecnologias de IA em sua prática, outros manifestam receio quanto à dependência dessas ferramentas e ao possível enfraquecimento de competências essenciais à profissão, decorrente de seu uso excessivo. Os estudantes utilizam ferramentas de inteligência artificial em diferentes tarefas acadêmicas, inclusive no planejamento do cuidado em Enfermagem; contudo, a ausência de orientações institucionais e docentes torna esse uso permeado por dilemas éticos, evidenciando a necessidade de diretrizes claras que assegurem a integridade acadêmica.