Dissertação - Margarida Cassova Braz

Inserção e permanência dos estudantes universitários africanos em uma universidade pública brasileira

Autor: Margarida Cassova Braz (Currículo Lattes)

Resumo

Nas últimas décadas, o ensino superior brasileiro tem fortalecido a cooperação acadêmica internacional, por meio de políticas e programas, resultando na ampliação do ingresso de estudantes estrangeiros, principalmente africanos, em universidades públicas. Esse movimento abrange discentes oriundos de diferentes países do continente africano, marcados por expressiva diversidade linguística, cultural e social. Contudo, apesar da ampliação desse fluxo migratório acadêmico, ainda são incipientes as investigações que analisam as condições de inserção e permanência desses estudantes no contexto universitário brasileiro. Nesse sentido, considerando a relevância social e acadêmica da temática, a presente pesquisa teve como objetivo geral: analisar as experiências de estudantes africanos para a inserção e a permanência em uma universidade pública brasileira. E objetivos específicos: conhecer as barreiras e desafios vivenciados pelos estudantes universitários africanos para inserção e permanência no contexto acadêmico de uma universidade pública brasileira; e entender as fortalezas que oportunizam/estimulam os estudantes universitários africanos a permanecer em uma universidade pública brasileira. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, exploratória e descritiva, realizado em uma Universidade Federal localizada no extremo sul do Brasil, com estudantes africanos matriculados em cursos de graduação e pós-graduação. A coleta de dados ocorreu durante o período de novembro de 2025 a janeiro de 2026, por meio de entrevistas baseadas em roteiro semiestruturado, realizadas de forma presencial e on-line. A análise de dados foi através do software IRAMUTEQ, baseada no Método de Reinert para a construção da Classificação Hierárquica Descendente e após utilizada a análise de conteúdo de Bardin. Participaram 25 estudantes africanos de seis países, com idades entre 24 e 35 anos. O grupo foi composto por oito mulheres e 17 homens, desde a graduação e 15 da pós-graduação. Seis participantes comunicavam-se predominantemente em língua inglesa. Os resultados evidenciaram quatro categorias a partir dos clusters: a Classe 1 reúne barreiras institucionais relacionadas à burocracia, acesso a serviços e políticas de apoio. A Classe 2 trata dos desafios na comunicação, sobretudo dificuldades linguísticas no uso do português. A Classe 3 concentra barreiras acadêmicas ligadas às exigências curriculares e metodologias de ensino. A Classe 4 destaca as relações de preconceito racial e fortalezas como estratégias de resistência e fortalecimento, como redes de apoio entre estudantes africanos, vínculos comunitários, projetos de vida ancorados na formação acadêmica reconhecimento de obter melhor educação como instrumento de transformação social e os auxílios financeiros que possibilitam a permanecia na instituição. Como considerações finais, entende-se que a permanência desses estudantes depende não só do esforço individual, mas principalmente de condições institucionais adequadas e efetivas. É necessário fortalecer as ações universitárias, que promovam igualdade interculturais, o respeito e valorização cultural, além de estratégias de inclusão possibilitando um acolhimento e maior suporte acadêmico na universidade de forma equitativa e inclusiva.

TEXTO COMPLETO DA DISSERTAÇÃO

Palavras-chave: EstudantesPopulação africanaUniversidade