Dissertação - Ismael de Barros Esmero

,

Depressão, ansiedade, estresse e cultura de segurança com trabalhadores da saúde hospitalares: estudo transversal

Autor: Ismael de Barros Esmero (Currículo Lattes)

Resumo

A cultura de segurança do paciente é definido por um conjunto de fatores culturais, individuais e coletivos, alinhados aos aspectos institucionais. Trabalhadores de saúde possuem características laborais distintas, marcadas pela singularidade de atividades emergenciais, intransferíveis e irrevogáveis, que os predispõem a maiores riscos de agravos psicológicos, como depressão, ansiedade e estresse. A partir dessa premissa, questiona-se se esses fatores psíquicos podem influenciar na percepção acerca do clima de segurança do paciente. O estudo tem como objetivo analisar a relação entre depressão, ansiedade e estresse e a percepção do clima de segurança do paciente em trabalhadores de saúde em contexto hospitalar. Estudo de campo, de natureza quantitativa, com delineamento transversal. Trata-se de um subprojeto vinculado a uma investigação matricial. Foram incluídos os (as) trabalhadores (as) da saúde de um hospital universitário do sul do Brasil, que atuavam no período de coleta do estudo há no mínimo três meses e que desenvolviam carga horária semanal mínima de 20 horas. Para a coleta de dados (ocorrida entre outubro de 2024 e março de 2025), utilizaram-se três ferramentas: um questionário com variáveis sociodemográficas, laborais, de hábitos e saúde; a Escala de Depressão, Ansiedade e Estresse (DASS 21) e o Questionário de Atitudes de Segurança (SAQ). Foi realizada análise descritiva e inferencial, de acordo com a distribuição dos dados. Os aspectos éticos que envolvem pesquisas com seres humanos foram respeitados. Participaram do estudo 330 trabalhadores, com predomínio de mulheres (n=247; 74,8 %), vínculo empregatício de Consolidação das Leis do Trabalho (n=258; 78%) e atuação em turno misto (n=120; 36%). Ainda, a maioria (n=163; 49%) fazia uso contínuo de medicação e referiu dormir entre 7 e 10 horas por dia (n=165;50%). Destacaram sintomas normais para depressão (n=238; 72,1%), ansiedade (n=227; 68,8%) e estresse (n=230; 69,9%) e apenas o domínio "satisfação no trabalho" ( n=205; 75,8) apresentou percepção positiva clima do segurança. A percepção geral do clima de segurança do paciente esteve negativamente correlacionada com depressão (r=-0,210; p=0,001), ansiedade (r=-0,140; p=0,001) e estresse (r=-0,180; p=0,001). Constataram-se correlações negativas entre: tempo de formado e Satisfação no Trabalho (r=0,117; p=0,05); tempo de trabalho na instituição e Condições de Trabalho (r=-0,122; p=0,05); tempo de trabalho no setor com Percepção da Gerência do Hospital (r=-0,122; p=0,05) e com Condições de Trabalho (r=-0,127; p=0,05); carga horária semanal e Percepção da Gerência da Unidade (r=-0,114; p=0,05). Os sintomas de depressão, ansiedade e estresse estiveram associados a características biossociais, laborais e de saúde dos trabalhadores. As evidências indicam que o adoecimento psíquico, sobretudo relacionado a sintomas de depressão, ansiedade e estresse, não apenas compromete o bem-estar dos trabalhadores, mas também repercute em sua motivação, desempenho e atitudes diante das atividades assistenciais, aumentando o risco de falhas no cuidado assistencial e fragilizando o clima de segurança do paciente.

Palavras-chave: DepressãoAnsiedadeEstresse fisiológicoSaúde ocupacionalCultura organizacional