Representações sociais de mulheres no ciclo gravídicopuerperal sobre a violência obstétrica e suas implicações emocionais
Autor: Carolina Coutinho Costa Vallejos (Currículo Lattes)
Resumo
A violência obstétrica é caracterizada por retirar a autonomia e o protagonismo da mulher durante o seu parto, em função do tratamento desumanizado, procedimentos sem consentimento, violência física e psicológica, que podem gerar consequências negativas para a saúde das mulheres no ciclo gravídico-puerperal. Sendo assim, essa pesquisa utilizou como referencial teórico, a Teoria das Representações Sociais, que permitiu compreender as representações das mulheres durante esse período sobre a violência obstétrica e suas implicações emocionais. Objetivo Geral: Compreender a representação social de mulheres no ciclo gravídico-puerperal sobre a violência obstétrica e as implicações emocionais para sua saúde. Objetivos específicos: Identificar a estrutura e conteúdo da representação social de mulheres no ciclo gravídico-puerperal sobre a violência obstétrica e suas implicações emocionais para a manutenção ou não da sua saúde mental, comparar a estrutura e conteúdo da representação social sobre a violência obstétrica entre gestantes e puérperas em pós-parto imediato para a manutenção ou não da sua saúde mental e descrever os conteúdos da representação social das mulheres no ciclo gravídico puerperal, sobre a violência obstétrica e suas implicações emocionais para a manutenção ou não da sua saúde mental. Método: Subprojeto do macroprojeto intitulado: "Promoção da Saúde Mental ao Longo do Desenvolvimento Humano". Estudo descritivo e exploratório, de abordagem qualitativa, o qual foi realizado no Município do Rio Grande/RS, com 176 mulheres, no período de junho de 2024 a setembro de 2025. Coletou-se os dados pela técnica das evocações e de entrevista semiestruturada, foi realizada a análise pela técnica de matrizes e lexicográfica, com uso do software IRAMUTEQ. O estudo respeitou as prerrogativas da Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde. Aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa e pelo Núcleo Municipal de Educação em Saúde Coletiva, mediante os pareceres 4.980.258 e 02/2023, respectivamente. O número CAAE é 51477721.3.0000.5324. Resultados: Foram construídos três artigos que abordam diferentes perspectivas das representações sociais relacionadas à violência obstétrica. O primeiro, "Representações sociais de puérperas acerca da violência obstétrica: vivências, percepções e impactos na saúde emocional", voltado às puérperas, evidenciou representações marcadas pela desumanização do cuidado e pela imposição de condutas profissionais, além de destacar importantes repercussões emocionais, como medo, angústia e trauma decorrentes das experiências vividas. O segundo artigo, "Violência obstétrica e as representações sociais de gestantes", centrado nas gestantes, revelou representações associadas a falhas no sistema de saúde e ao desconhecimento acerca das práticas realizadas durante a assistência, apontando uma compreensão ainda limitada sobre o fenômeno. E o terceiro artigo, "Representações sociais da violência obstétrica: comparação estrutural entre gestantes e puérperas", realizou uma análise comparativa entre os dois grupos, demonstrando que as gestantes apresentam uma representação de caráter antecipatório, construída a partir de expectativas e informações prévias, enquanto as puérperas ancoram suas representações na experiência concreta vivenciada durante o ciclo gravídico-puerperal. Considerações Finais: A violência obstétrica configura-se como um fenômeno complexo, socialmente construído, ancorado em práticas assistenciais e relações de poder que favorecem sua naturalização e impactam a saúde emocional das mulheres no ciclo gravídico-puerperal. As representações sociais diferem entre gestantes e puérperas, assumindo caráter antecipatório no primeiro grupo e experiencial no segundo, com repercussões emocionais que podem comprometer a vivência da maternidade e o vínculo materno-infantil.